World Café e Inteligência coletiva

De WikiPapagallis

INTELIGÊNCIA COLETIVA: CRIANDO UM MUNDO PROSPERO E PACÍFICO

Editado por Robert Steele

O World Café: Despertando a inteligência coletiva e ações com envolvimento e empenho coletivo.

Juanita Brown, David Isaacs

e a

Comunidade do World Café (1)

Versão Original em inglês (Original version)

Tradução e adaptação por Ronaldo Richieri

Despertando e engajando inteligência coletiva através de conversações poderosas sobre questões que realmente importam.

Conteúdo

[editar] Introdução

É através de nossas conversações que as histórias do nosso futuro se desenrolam, e este processo nunca foi tão crítico. Agora temos a capacidade, através do descaso com as coisas deste planeta que compartilhamos e das quais nossas vidas dependem, de tornar esta terra preciosa, nossa casa, inabitável. Agora temos a capacidade, através da violência crescente e das armas de destruição em massa, de tornar nossa espécie humana, juntamente com outras espécies, extinta.

No entanto, este também é um momento de oportunidades. Estamos conectados como nunca em redes de comunicação e de troca de informações através da internet e outras mídias que tornam nossos discursos coletivos vísiveis em escalas muito maiores do que poderíamos ter imaginado há poucos anos.

E pela primeira vez, temos a capacidade de nos engajar em conversações e ações globais interconectadas sobre o que está acontecendo e sobre como nós escolhemos responder a estes acontecimentos – conversações que não estão sob a tutela de qualquer instituição, governo ou corporação. Está na hora de nos engajarmos em conversações de forma mais intencional.

Nossa sobrevivência enquanto comunidade humana, tanto local quanto global, deve repousar em nossas respostas criativas para as seguintes perguntas:

  • Como podemos aumentar nossa capacidade de conversar e pensar coletivamente, e de forma mais profunda, sobre as questões críticas e os problemas que se apresentam à nossas comunidades, nossas organizações, nossas nações e ao nosso planeta?
  • Como podemos acessar a inteligência e a sabedoria coletiva que precisamos para criar caminhos inovadores?

[editar] O World Café: Uma porta para a inteligência coletiva.

O World Café é um simples, porém poderoso processo de conversação para promover diálogos construtivos, acessar inteligência coletiva e criar possibilidades inovadoras de ação, particularmente em grupos que são maiores do que a maioria das abordagens tradicionais de diálogo são capazes de acomodar. Desde sua criação em 1995, dezenas de milhares de pessoas nos seis continentes - incluindo as áreas de negócio, governo, saúde, educação, ONGs, grupos com muitas partes envolvidas num mesmo processo – têm participado de diálogos do World Café em diferentes configurações de tamanho e locais, variando de salões de hóteis lotados com 1200 pessoas até pequenas salas acolhedoras com apenas uma dúzia de pessoas presentes.

Qualquer um interessado em criar “conversações que importam” podem se engajar na abordagem do World Café, com seus 7 princípios, para aumentar a capacidade coletiva de trocar conhecimento e definir o futuro em conjunto.

As conversações do Café nos permitem detectar padrões mais profundos de nossas conexões no trabalho em nossas organizações e comunidades de forma simultânea – as diversas redes invisíveis de conversação e significado através das quais nós desenhamos coletivamente nosso futuro, por vezes de formas inesperadas.

Adotar o padrão World Café, seu processo e princípios, habilita líderes e outras pessoas que trabalham com grupos a criar intencionalmente redes dinâmicas de conversação e inteligência mútua ao redor do trabalho real e das questões críticas de suas organizações.

[editar] Como o diálogo do World Café funciona?

As conversações do Café foram desenvolvidas partindo do princípio que as pessoas já possuem no seu interior a sabedoria e a criatividade para enfrentar até mesmo os mais difíceis desafios. O processo é simples, mas muitas vezes produz resultados surpreendentes. O design inovador do World Café permite que grupos, as vezes com centenas de pessoas, participem juntas em rodadas envolventes de diálogo com três ou quatro outras pessoas e, ao mesmo tempo, conectados a uma conversação única e maior.

Conversações pequenas e íntimas conectam-se as outras conforme as pessoas se movem entre os grupos, polinizam as idéias de forma cruzada e descobrem novos insights em torno das questões ou dos problemas que realmente importam em suas vidas, em seus trabalhos ou em suas comunidades.

Conforme a rede de novas conexões aumenta, cresce também a troca de conhecimento.

Uma sentimento de todo torna-se cada vez mais visível.

A sabedoria coletiva do grupo se torna cada vez mais acessível, e inovadoras possibilidades de ação emergem.

Em reuniões ao estilo Café, as pessoas se movem rapidamente de conversações ordinárias – que nos mantém presos ao passado, são geralmente divisoras e superficiais – para “conversações que importam” nas quais é possível envolver tanto inteligência coletiva quanto ações com envolvimento e empenho em relação as situações com as quais as pessoas realmente se preocupam.

Os sete princípios, quando usados juntos, também criam um tipo de “estufa de conversação”, nutrindo as condições para a rápida propagação de conhecimento acionável. Esse princípios não são limitados a um evento no estilo World Café formal. Eles também podem ser utilizados para concentrar e aumentar a qualidade de outras conversações importantes – o que permite tirar partido da sabedoria coletiva de uma comunidade ou organização, em maior medida do que geralmente ocorre nas abordagens tradicionais.

O World Café, tanto como processo de conversação como um padrão profundo de convivência tem implicações práticas imediatas no jeito de se fazer reuniões, conferências, na formação de estratégias, na criação de conhecimento, na concepção de inovações rápidas, no engajamento das partes interessadas, e em mudanças em larga escala. Experienciar as conversações do café também nos ajuda a fazer escolhas pessoais e profissionais sobre formas mais satisfatório para participar do curso das conversas que ajudam a moldar nossas vidas.

[editar] O aparecimento do “Todo”

Os Anfitriões de World Cafés têm comentado sobre a emoção e a energia quem ascendem em espiral conforme as pessoas e as idéias se movem de uma rodada de conversação do Café para outra, criando novas conexões e relacionamentos. Às vezes parece como se as rodadas envolventes de conversação faiscassem novas sinápses numa mente central do grupo como um todo.

O World Café conecta intencionalmente as partes ao todo, combinando a intimidade de um dialogo entre 4 ou 5 pessoas com o processo de polização cruzada de idéias que ocorre durante radiantes rodadas de conversação. Encorajando as pessoas a levar adiante as idéias essenciais e/ou as mais interessantes de suas conversações anteriores, a essência do todo tende a tornar-se mais visível conforme as principais idéias e insights viajam rapidamente através da rede de conversação. Os participantes do café têm descrito esta experiência como uma "ressonância de pensamento", "um sistema de iluminação na sala" ou "uma evolução acelerada das idéias".

Estamos especialmente intrigados com as linhas de pesquisa que as novas ciências estão revelando e as questões que levantam para a teoria e a prática do diálogo. As conversas do Café mantém a promessa de fornecer uma maneira intencional, não só de envolver uma fascinante rede dinâmica emergente, mas também para o acesso - em seus melhores momentos - à relação única entre o indivíduo e o coletivo que permite que um tipo especial de inteligência mútua surja - o tipo de informação que o físico David Bohm viu como a grande promessa do diálogo para o nosso futuro comum. Bohm descreve o tipo de conhecimento e inteligência holística que emerge no autêntico diálogo, que não ocorre só no indivíduo, mas simultaneamente ao nível coletivo. "É uma harmonia do indivíduo e do coletivo", disse ele, "em que o conjunto se move constantemente em direção a coerência" (1996, p. 27).

Nosso colega, Tom Atlee (2003), descreve o tipo de integração criativa e de pensamentos de alto nível que ocorre quando diversas perspectivas estão envolvidas no diálogo como "co-inteligência." Co-inteligência é uma descrição da magia que os anfitriões e participantes do Café descrevem quando refletem sobre seus diálogos de Café mais produtivos.

Mark Gerzon, o presidente da Fundação dos Mediadores, fornece um exemplo pungente da "magia". Enquanto mediava um diálogo grande e desafiador entre judeus e árabes israelitas, ele recorda que "...no meio do ponto crucial, quando o grupo parecia se encontra numa situação de impasse, eu sugeri que mudássemos e fizemos um World Café durante o jantar. A pergunta era: 'Que história você pode contar, que ajudará os outros da sua mesa a entender sua perspectiva sobre os conflitos em Israel entre os Judeus e os Palestinos?' As histórias foram incrivelmente poderosas, e a experiência das consecutivas contações de história (storytelling) com vários parceiros, através das várias rachaduras, fertilizaram o solo duro. Na manhã seguinte, a descoberta aconteceu e eu sabia em meu coração que o processo de adubação das narrativas do Café, entre todos os membros, foi um fator chave para tornar esse avanço possível.”

Kenoli Oleari, um especialista em desenvolvimento de comunidades, descreve o momento em que ele teve um experiência similar com um grande grupo numa conversa de Café. "Alguma coisa me tocou sobre o World Café," diz ele. "Eu desenvolvi um senso visceral sobre o que poderia vir da “voz do centro da sala”. Conforme as conversas se desenrolam durante um Café, deslocando-se por entre várias configurações de pessoas e químicas de interação, eu posso sentir que o “todo”, algo maior que indivíduos na mesma sala, se apresenta. Me sinto um pouco surpreso por conta disto."

Carolyn Baldwin, a ex-Superintendente da área de assitência de Escolas em Polk County, Florida, acrescenta que a estrutura em rede do World Café permite que o grupo “tenha vários olhos focados a partir de diferentes pontos de um sistema no mesmo conjunto de perguntas. Estes olhos estão se movendo literalmente em torno das questões, com todas suas perspectivas.” “A plenitude” explica ela, “ vem da capacidade de enxergar o sistema de diferentes ângulos.” Conectar pessoas e perspectivas em torno de questões essenciais de modo a fazer enxergar o todo de maneira mais fácil é a razão do aprendizado do World Café.

[editar] Projetado para a complexidade (Designing for Emergence)

O processo do World Café não é simplesmente um veículo para o surgimento aleatório da inteligência coletiva. Mais que isso, ele encarna uma arquitetura simples e intencional de engajamento – criando as condições para a chegada das descobertas serendípidas, novos padrões de significados e, a “voz no centro da sala” - especialmente em grupos que são maiores que a maioria dos tradicionais círculos de diálogo.

Mas como é que isto realmente funciona? Nossas conversas com o físico Fritjof Capra têm iluminado esta questão. Ele ressalta que há uma tensão natural entre estruturas planejadas, como formal organogramas organizacionais, e estruturas emergentes (complexas, ver a definição de emergence em http://en.wikipedia.org/wiki/Emergence), como os jeitos informais pelos quais o trabalho se concretiza na maioria das organizações. Estruturas planejadas tem especificações pré-determinadas; estruturas emergentes (complexas) geralmente se auto-organizam em formas que não podem ser previstas. As conversas do World Café simultaneamente envolve tanto o processo intencional de planejamento (concepção), quanto o processo natural de criação (complexo e espontâneo), a fim de incentivar a coerência sem controle.

Na concepção para sistemas complexos, todos os sete princípios do Café discutidos abaixo trabalham juntos para aumentar a probabilidade (mas nunca a certeza) de avivar um campo de pesquisa focado e generativo, onde a magia da compreensão e do insight coletivo podem ser revelados.

No entanto, é a polinização cruzada e criativa de pessoas e idéias, combinada com o uso disciplinado de perguntas como "atratores", que talvez seja a principal contribuição do World Café para a aprendizagem dialógica e para a inteligência coletiva.

David Marsing, ex-executivo sênior na Intel, lembra que perguntas criadas cuidadosamente funcionam como atrativos em torno do qual a trama da polinização cruzada de idéias evolui para criar padrões de significado coerentes. Refletindo sobre o modo como ele acredita que isso acontece, Marsing diz: "Você tem a questão colocada na mesa como ponto de partida, mas conforme as pessoas circulam nas rodadas de diálogo, cada indivíduo olha para a questão de uma maneira diferente. As conexões crescem rapidamente a cada rodada. Você pode imaginar uma rede tridimensional se formando, tanto em profundidade como amplitude, em torno da pergunta inicial. Gostaria de chamar isto de “o desenvolvimento focado, de um pensar coletivo de ordem superior, em torno de questões críticas – Isto é co-emergência em ação".

[editar] Os Sete Princípios Integrados do World Café

Retirado da wiki Papagallis: [World_Caf%C3%A9#Princ%C3%ADpios http://wiki.papagallis.com.br/World_Café#Princípios]

  1. Defina o contexto: esclareça seu proposito: Pergunte-se "Que conversações hoje fariam diferença para nosso futuro ou para determinado assunto explorado hoje?". Convide as pessoas certas: diversidade no grupo é importante! Visões diferentes produzem resultados criativos e ricos. A intenção do café é enxergar novas possibilidades coletivamente e compartilhar conhecimentos misturando pessoas de diferentes níveis e com diferentes perspectivas. Não há pressão para obtenção resultados imediatos, fazendo com os participantes se sintam mais capazes de compartilhar seus melhores pensamentos sobre determinada questão e gerar ações inovadoras.
  2. Crie um ambiente acolhedor e agradável: pense em maneiras para criar um ambiente acolhedor, agradável, inspirador e convidativo. Flores, comida e música ajudam!
  3. Explore questões que realmente importam: foque em perguntas que despertem a atenção do grupo que aponte os anseios para solução da mesma;
  4. Encoragem a contribuição de todos: Numa mesa com 4 ou 5 pessoas, ninguém pode se esconder. Respeite a individualidade de cada um mas convide todos a participar da conversar.
  5. Faça a polinização cruzada de idéias e as conecte.
  6. Procurem juntos padrões, insights e questões cada vez mais profundas.
  7. Colha e compartilhe idéias com o grupo: isto pode ser feito de várias maneiras, desde a escrita na toalha de mesa ou tento alguém diagramando as conversas em um grande painel na parede. Um grande círculo ou um aquário no final de cada etapa ajuda neste compartilhar de idéias.

=Dando forma aos nossos futuros em comum: Uma conversação contínua= O mundo tal como conhecemos hoje, é o legado de inúmeras conversas que aconteceram durante o passado e o produto de todas as conversas que acontecem, em todo o mundo, a cada dia. Para mudar o futuro, temos de mudar a conversa. Aguardamos com expectativa a continuação de nossa exploração tanto do World Café, quanto de outras portas à inteligência coletiva e ações sábias neste momento crítico, onde a criação de um mundo pacífico e nossa própria sobrevivência em conjunto neste planeta belo e frágil pode depender disto.

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